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Franca, 10 de Setembro de 2010
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17/08/2009
Itália pode ser mercado para calçados brasileiros


“O Brasil tem os trunfos para conquistar a Itália”. Esta é a avaliação que o consultor Enrico Cietta fez após desenvolver uma extensa pesquisa sobre a possibilidade de ampliar a participação do calçado brasileiro no país europeu. Ele apresentou as conclusões do estudo nos dias 11, em Franca/SP e 12, em Novo Hamburgo/RS somente para os membros da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e do Brazilian Footwear - Programa de Promoção às Exportações, que tem o apoio da Apex-Brasil. Cietta é diretor da Diomedea, empresa sediada em Milão, que presta serviços de comunicação, estudos e consultoria.

O pesquisador fundamentou suas conclusões devido ao momento “de reflexão” que o mercado italiano está vivenciando neste período pós-crise. Segundo ele, o consumidor passou a valorizar produtos com valores intangíveis, com coleções que têm algo a dizer em termos culturais, unindo design diferenciado e qualidade. Nestes segmentos, o Brasil teria plenas condições de atuar, devido ao alto padrão que tem nos seus processos produtivos.

Atualmente, o Brasil participa com apenas 4,7% do total importado pela Itália, que é de 142 milhões de pares por ano. Já a participação brasileira sobre o total consumido, de 190 milhões de pares, é de 3,5%. “Há um amplo leque de possibilidades para os calçadistas do Brasil”, enfatiza o consultor. Porém, os empresários nacionais devem observar o comportamento dos italianos em tempo de crise, definir com critério os canais de distribuição e principalmente, eleger o tipo de produto que irá ofertar. “O comportamento está diferente. Há um retorno quanto aos cuidados com a qualidade, material e preço. Por ter mais cultura, morar em grandes cidades e em regiões ao norte da Itália, mais cosmopolitas, o consumidor está muito atento ao diferente e que realmente tem valor”.

O calçado está crescendo em importância para o mercado da moda. Várias marcas de luxo e grifes estão criando calçados de modo tão intenso como o vestuário. O sapato passou a ser uma aquisição de “ata densidade de valor”. As mulheres, por exemplo, passaram a comprar um novo par com o objetivo de renovar um vestido, quando em tempos passados acontecia o contrário. Como está havendo maior transversalidade do consumo - quando o indivíduo compra produtos tanto de nicho de alto e baixo preço - as lojas estão se especializando em estilos de consumo.
“O consumidor hoje usa, sem medo, uma blusa da Zara e um jeans Dolce & Gabana”, por isto as lojas tendem a tornar-se uma máquina que transforma necessidade em desejos, oferecendo produtos híbridos (feitos com conteúdo cultural, como o sentido e a emoção, com valor material, como os saltos, o couro, e calor imaterial, como o design, marketing, marca).

TENDÊNCIAS - Cietta descobriu algumas tendências de consumo dos italianos. Uma delas o consumo “saudável”, quando adquirir um calçado ou uma roupa torna-se uma terapia e não um simples ato de comprar. Há também a eco sustentabilidade e a moda ética, cujos produtos têm respeito pelo meio-ambiente, não utilizam mão-de-obra de desfavorecidos e não usam materiais que possam prejudicar o trabalhador ou o usuário. O fast fashion é outra tendência muito acentuada, cuja rápida renovação da oferta impede o consumidor de acostumar-se a um mesmo produto. Está havendo ainda um forte apelo pelo vintage, uma redescoberta de modelos e produtos que fizeram sucesso há três décadas.

Estar atento à coerência distributiva é um dos conselhos enfatizados pelo consultor. Na Itália, há muitas formas para a venda e distribuição dos calçados e que não podem competir entre si. “Não se pode estar em dois canais com valores diferentes”, aponta. Dentre os principais meios de distribuição existentes hoje naquele país estão as lojas de calçados, que responderam por 37,5% das vendas em 2008. Em 1995, este percentual havia sido de 51,2%. Este varejo visa sobretudo a qualidade, design e preço.

As cadeias lojas passaram a ter maior destaque, com 22,7% da fatia e em terceiro lugar, as grandes superfícies especializadas, com 11%. Em ambos os casos, o que se busca é o preço.

O consumo anual na Itália é de 193 milhões de pares, que gera a circulação de 3,5 bilhões de euros. A produção anual é de 242 milhões de pares, sendo que 80% deste volume são destinados aos mercados estrangeiros. A importação, em 2008, foi de 352,6 milhões de pares – duas vezes maior que o consumo. Deve ser observado que a participação das empresas italianas (com produto feito na Itália e produtos importados e revendidos na Itália) é em torno de 20%.

Fonte: Exclusivo On - Line 14082009



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