Atendimento: (16) 3727.5600
Consulta de Crédito
Check Check     |     AFIC
                               
Franca, 10 de Setembro de 2010
  Notícias      

11/09/2009
Será que a crise econômica está no fim?


Desde agosto, especialistas em todo mundo têm alertado para o fim da chamada "crise econômica mundial". A retomada positiva de alguns índices tem animado economistas e líderes políticos, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmam que a recessão da economia está próxima do fim. Já os dirigentes das entidades do setor coureiro-calçadista dizem que ainda é impossível determinar o fim da crise. Além disso, a manutenção em baixa das exportações podem evidenciar ainda um cenário diferente do deixado antes de setembro de 2008. O que exigiria uma nova adaptação aos mercados para manter a competitividade no comércio exterior. Para os dirigentes, mesmo que o ritmo de queda tenha diminuído, é preciso aguardar ainda uma sequência de estatísticas positivas para marcar de fato se as melhoras sugeridas pelos economistas não estão tão sujeitas a novas turbulências econômicas.

O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, considera um pouco arriscado afirmar que a crise está acabando. De acordo com ele, o setor calçadista apresenta duas questões distintas quanto a recuperação. No mercado interno, o executivo aposta que o mercado interno nos próximos meses alcançará os melhores índices dos últimos dois anos. No entanto, conforme o dirigente, é preciso esperar para ver se as importações não tomarão conta de parte desse mercado. Mesmo que sejam aplicadas taxas antidumping ao calçado importado da China - decisão que pode sair nos próximos dias - é preciso verificar o quanto será essa taxa e se elas restabelecerão a competitividade da indústria calçadista. Quanto às exportações, o cenário é mais complicado. "Na Europa e nos Estados Unidos não se fala em recuperação dos mercados e ninguém afirma que o pior já passou. Nós ainda estamos sofrendo com a nova valorização do real. Por isso, acredito que seja cedo para afirmar que a crise já passou", declara Klein.

O consultor de estratégia e gestão do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Hélio Mendes, diz que ainda não está nada claro o fim da crise econômica para o setor calçadista. "Ninguém sabe ao certo qual é a dinâmica desta crise, o tamanho todos sabem." De acordo com ele, um dos pontos essenciais que limitam qualquer afirmação sobre o fim da crise são as próprias dúvidas sobre o novo mapa geopolítico do mundo. "Nós temos uma ascensão grande da China que não é uma democracia, possui sérios problemas ambientais e pode possuir um consumo desenfreado que pode gerar uma nova bolha econômica, muito maior que a dos Estados Unidos", frisa. De acordo com Mendes, o setor coureiro ainda não respondeu com sinais de melhora, haja visto a queda superior aos 50% nas exportações no acumulado do ano. "Ainda não temos elementos para ficar animados. Os curtumes precisam continuar com uma postura de sobrevivência reduzindo custos e nada de novos investimentos, pelo menos por enquanto", alerta Mendes.

MELHORA - O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Luís Amaral, diz que os indicadores estão melhorando. Porém, é impossível afirmar que a crise está chegando ao final. "Os números de produção estão melhores, mas a coisa está ainda muito lenta”, pondera. Amaral diz que a principal questão frente a crise que permanece é definir se ela será "V, U ou W". "No V, ela desce até determinado ponto e volta a subir. No U, o movimento é descendente, permanecendo mais tempo lá embaixo e faz a curva do crescimento. Agora o temor é se ela for um W, pois aí ela desce, sobe, desce de novo e aí é preocupante", explica.

O dirigente acredita que dificilmente o setor calçadista voltará aos mesmos números de produção de antes. A afirmação se justifica pelo comportamento do consumidor mundial que deve mudar, optando por uma maior cautela nas compras. Ele acredita que nos próximos meses estará mais claro o nível de produtividade que será possível alcançar. "O varejo mundial tem voltado a mostrar crescimento, só que essas mercadorias vendidas são os estoques. Precisamos acompanhar o desdobramento disso para verificar os ajustes necessários", declara Amaral.

Délcio Schmidt, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), entende que a crise ainda não acabou e está estacionada para o setor. Para ele, os especialistas que têm apontado o final da crise da econômica não estão levando em conta que as estatísticas de produção industrial seguem em baixa. "Sem uma produção forte não tem como afirmar que a crise acabou, pois a economia fica volúvel, não oferece estabilidade", afirma. Segundo ele, os números negativos das estatísticas de produtividade refletem que as melhoras ainda não são percebidas. "Ainda estamos no meio da crise. Precisamos melhorar muito para dizer que estamos saindo da crise", frisa. De acordo com o dirigente, a principal evidência dessa afirmação está nas estatísticas das exportações de couros e calçados que seguem em patamares bastante inferiores aos de 2008. Além disso, segundo Schmidt, o mercado interno não tem respondido nesse segundo semestre como a entidade projetava.

Fonte: Exclusivo On - Line 09092009



Resolução Mínima de 800x600 © Copyright 2008, AFIC - Associação Nacional dos Fornecedores da Indústria Calçadista e Afins